Guia de Carreira: Designer Gráfico

A tecnologia vem, há tempos, revolucionando as formas de se trabalhar. E com o surgimento do chamado marketing digital, no início da década de 1990, fruto da evolução da internet e da chegada dos primeiros anúncios virtuais clicáveis, os profissionais de design gráfico ganharam novas ferramentas e espaços de trabalho.

E quando falamos em design, significa o ato de projetar, planejar e executar algo que tenha um apelo ou função sensorial. Em outras palavras, o designer gráfico deixará a mensagem que ser quer transmitir com uma cara profissional, dando interatividade e apelo visual aos materiais.

Quer entender melhor como funciona essa dinâmica dentro do marketing digital, além de conhecer as principais características dessa profissão? Acompanhe.

O papel do designer gráfico no marketing digital

Geralmente, quando pensamos em design, nos vêm à mente cores, imagens e textos funcionando em sintonia. E esse conceito está certo. Além disso, o designer vai mais além e utiliza os demais sentidos, como a audição, o tato e o olfato, em busca de soluções para um projeto.

A função do designer gráfico é essa: criar soluções por meio de projetos, que, em geral, são feitos para ser disseminados e produzidos em escala. Por isso, cada detalhe deve ser minuciosamente planejado, testado e avaliado.

Desde o começo, nós falamos sobre o marketing digital e a importância de um designer gráfico para um projeto nessa linha – mas você sabe exatamente o que significa marketing digital?

Resumidamente, pode ser definido como um conjunto de atividades que pessoas físicas ou jurídicas (empresas) executam no meio online para atrair novos negócios, desenvolver uma identidade de marca e criar relacionamento com um público-alvo que possa levar a captação de mais clientes.

Exemplo: você é um fotógrafo profissional e quer utilizar a internet para conquistar mais clientes. Nada mais adequado do que utilizar as técnicas e ferramentas do marketing digital – ou contratar pessoas e/ou empresas que saibam como fazer isso.

Dentro do marketing digital, o papel do designer gráfico é essencial para transmitir a mensagem ao público-alvo de determinado projeto. O que isso quer dizer, na prática?

Que de nada adianta ter um site cheio de conteúdo interessantíssimo sem um design atraente para os usuários.

Dentro desse “atraente” há uma série de elementos que profissional precisa dominar: fontes, logo, imagens, cores.Cada mínimo detalhe técnico precisa estar coerente com a mensagem a ser transmitida.

O trabalho do designer gráfico está presente nas páginas nas redes sociais, site, e-books, landing pages, materiais promocionais, banners, vídeos, slides, apresentações. Por isso esse profissional faz uma grande diferença nos resultados das empresas, e trabalha para que elas se destaquem em meio à concorrência.

Um bom conteúdo com boas imagens em um site com navegação agradável gera um engajamento muito maior por parte do público.

O campo de trabalho de um designer gráfico dentro do marketing digital é grande. Alguns exemplos de atividades que podem ser desempenhadas:

  • Web design: criação e elaboração de sites
  • Tipografia: criação de fontes
  • Diagramação de e-books, revistas digitais e outros materiais
  • Ilustração
  • Branding: criação de marca
  • 3D: modelagem de imagens tridimensionais
  • Motion graphics: animação

Há designers que trabalham em uma única área e outros que desenvolvem várias dessas atividades em projetos distintos.

Competências e habilidades necessárias

Existem algumas características que o designer gráfico precisa desenvolver para ter sucesso e desenvoltura na profissão. Vamos a algumas delas:

  • Gostar de arte e ter afinidade com desenho de uma forma geral;
  • Ser organizado, ter disciplina e muito comprometimento com resultados para que os projetos sejam bem executados e entregues no prazo. Na rotina de trabalho, o profissional tem que lidar com vários projetos ao mesmo tempo e, geralmente, com prazos curtos;
  • Ser criativo, inovador e ter um bom senso estético. Para isso, é preciso gostar de estudar e se atualizar sobre as tendências do setor, bem como novas tecnologias, formas de comunicação e comportamento do consumidor;
  • Saber trabalhar em equipe. Em uma agência de marketing digital, por exemplo, o profissional trabalha com redatores, revisores, editores, analistas e uma série de outros colegas em um mesmo projeto;
  • Conhecer o funcionamento das redes sociais;
  • Conhecimentos da língua inglesa, que já deixou de ser diferencial e passou a ser requisito para contratação de empresas de pequeno, médio e grande porte. Além disso, muitos termos técnicos da área estão em inglês, além de bons cursos, eventos e certificações;
  • Gostar de tecnologia é essencial, pois é preciso utilizar ferramentas de computação gráfica ­– sobre as quais falaremos a seguir.

O designer gráfico precisa dominar as principais ferramentas da área e se manter atualizado sobre mudanças.

É muito importante ressaltar que, na faculdade, o uso dessas ferramentas não é praticado com a profundidade necessária, então, é preciso fazer outros cursos ou aprender por meio de tutoriais. Quanto antes, melhor. Alguns exemplos de ferramentas fundamentais para o exercício da profissão são:

Pacote Adobe

Atualmente, os softwares mais versáteis e bem integrados são da Adobe. Para a área de design gráfico, é altamente recomendável que o profissional domine suas ferramentas, a depender de suas funções. Os softwares mais usados são:

  • Adobe Photoshop: programa de manipulação de imagens, ideal para os arquivos em formato bitmap.
  • Adobe Illustrator: software de imagens vetoriais, o que permite a manipulação de pontos e preenchimentos de forma rápida e fácil.
  • Adobe InDesign: software de diagramação de materiais extensos, como livros, e-books, revistas, jornais, etc.
  • Adobe Premiere: software de edição de vídeos de forma profissional.
  • Adobe After Effects: software de pós-produção de vídeo, que permite criar de animações simples de texto até dinossauros andando pela cidade e destruindo prédios.

CorelDraw

Apesar de ter perdido espaço para os programas da Adobe, é um bom software que manipula imagens vetoriais. Porém, mesmo tendo domínio sobre o CorelDraw, é preciso saber utilizar o Adobe Illustrator, pois é exigência de muitas empresas no mercado.

Glimp

É um software open source (código aberto) semelhante ao Photoshop, mas distribuído de forma gratuita.

Blender, Maya, 3Ds Max, Cinema 4D

São programas de animação tridimensional e de modelagem. Por ser mais complexos, exigem um bom tempo de estudo para o pleno domínio – por isso, profissionais que sabem usar esses programas são bem valorizados no mercado.

Além das ferramentas que citamos acima, alguns termos bem comuns aos profissionais da área precisam ser compreendidos.

  • Logo: é o símbolo (representação gráfica) pelo qual a empresa/marca é reconhecida.
  • Marca: está relacionada ao conceito da empresa, o que fica na mente das pessoas. Exemplo: quando vemos a logo da Apple, nos vêm à mente conceitos como tecnologia, inovação, comunicação. A marca representa, portanto, essa “imagem”. O termo “marca” também é usado para se referir ao logo ­– mas a palavra “logomarca”, apesar de ser bastante usada, é redundante (logo e marca são a mesma coisa).
  • Logotipo: quando a logo possui, além do símbolo, um texto, como o da Nike. O próprio nome da empresa também pode gerar um logotipo, sem uma imagem de apoio, como é o caso da Google e da Sony, por exemplo.
  • Slogan: é a frase que define a empresa, também conhecido como jargão. Muitas pessoas confundem slogan com logo, mas eles são diferentes. Enquanto a criação do logotipo é tarefa do designer, são os redatores que criam os slogans.
  • Imagens digitais: o designer gráfico lida com dois tipos de imagens digitais, as vetoriais (também conhecidas como “vetor”), que têm uma estética mais simples, além de tamanho e escalabilidade, cujos formatos são .ai, .cdr, .eps, .svg, .pdf.; e as imagens em bitmaps (mapa de bits), que são mais difundidas e podem reproduzir fotos com fidelidade, sendo formadas por vários pixels (pontos minúsculos). Seus formatos mais famosos são: .bmp, .jpg, .jpeg, .png, .gif.
  • Escala CMYK: os arquivos que serão impressos usam a escala CMYK (ciano, magenta, amarelo e preto), pois serão usadas tintas e o resultado depende de fatores como a calibragem da impressora e o tipo de papel. As cores que vemos na tela estão na chamada escala RGB.
  • Escala RGB: a escala RGB (vermelho, verde e azul) é composta por três cores-luz que são emitidas por qualquer tela. É mais cintilante e fluorescente, a reprodução é bem complexa e são necessárias tintas especiais.

Formação do designer gráfico

Normalmente, o ensino superior é um requisito para ingressar em muitas empresas – algumas pedem formação em áreas como Comunicação e Publicidade, por exemplo –, além de ser uma oportunidade de conhecer pessoas que já estão na área, aumentando as chances de se destacar e conseguir uma rápida colocação no mercado de trabalho.

Existem dois tipos de graduação em Design Gráfico: a habilitação de bacharelado, com duração de 4 anos, e a de tecnólogo, que tem a duração de 2 anos e é focado nas necessidades do mercado de trabalho.

Durante o curso, o aluno aprende disciplinas como Desenho e Ilustração, História da Arte, Design, Técnicas de Representação, Fundamentos de Composição, Gestão e Planejamento, dentre outras.

É importante que o designer gráfico nunca pare de se atualizar. Além de cursos que ensinem as ferramentas de software que mencionamos anteriormente, atualmente, o mercado oferece diversas pós-graduações e outros cursos de atualização, disponíveis tanto de forma presencial quanto na modalidade a distância.

Para trabalhar no marketing digital, é imprescindível que o profissional tenha conhecimento sobre o funcionamento de todos os processos que envolvem essa área – e existem cursos e também as chamadas certificações, que são oferecidas por diversas empresas conhecidas no mercado. Em geral, essas certificações são renovadas a cada ano por meio de um curso e uma prova, e podem ser grandes diferenciais para ingressar no mercado de trabalho.

O mercado de trabalho para o designer gráfico no marketing digital

A área do marketing digital tem crescido muito nos últimos anos, representando uma boa oportunidade para a carreira de designer gráfico.

Muitas empresas já compreenderam que a grande maioria de seu público consumidor está na internet, e que é preciso criar estratégias para conquistá-los e torná-los clientes de suas marcas.

Portanto, essa área vem sendo uma ótima opção para jovens recém-formados ou profissionais que desejam recolocação no mercado. Porém, mesmo com perspectivas animadoras, o mercado do marketing digital enfrenta um grande desafio: encontrar profissionais qualificados.

Por isso que é importante ter em mente que, para trabalhar com design gráfico nessa área, é preciso, também, estudá-la e conhecer todos os processos envolvidos – desde a atração de público até a transformação dele em clientes.

Como designer gráfico, o profissional pode trabalhar em vários locais, tais como:

  • Agências de marketing.
  • Agências de publicidade e propaganda.
  • Startups.
  • Dentro das próprias empresas.
  • Como empreendedor, oferecendo seus serviços a agências e empresas.

Em relação aos salários, eles variam de acordo com a região, o porte da empresa, o nível de escolaridade, a experiência profissional e o cargo a ser preenchido. Segundo dados do Site Nacional de Empregos (Sine), a média brasileira para designer gráfico é a seguinte:

  • Trainee (até 2 anos de experiência): de R$ 1,7 mil a R$ 2,4 mil.
  • Júnior (de 2 a 4 anos de experiência): de R$ 1,9 mil a R$ 2,8 mil.
  • Pleno (de 4 a 6 anos de experiência): de R$ 2,2 mil a R$ 3,2 mil.
  • Sênior (de 6 a 8 anos de experiência): de R$ 2,6 mil a R$ 3,7 mil.
  • Master (mais de 8 anos de experiência): de R$ 2,9 mil a R$ 4,3 mil.

Dependendo da empresa, existe, ainda, a possibilidade de ascensão de carreira dentro da área e os salários podem ultrapassar os R$ 8 mil.

Alguns cargos são de assistente, diretor, analista, supervisor, coordenador e gerente, sempre cuidando do departamento de arte, que faz parte do marketing da empresa.

A carreira de designer gráfico é desafiadora, mas também bastante promissora em um mundo cada vez mais tecnológico.

Como vimos, dentro do marketing digital são várias as possibilidades de construir uma carreira sólida, tanto em agências, como freelancer, em empresas ou abrindo o próprio negócio. O fundamental para esse profissional é o estudo e atualização: seguindo esse caminho, as chances de sucesso são ainda maiores!

E então, está pronto para se tornar um designer gráfico de sucesso no marketing digital? Ficou com alguma dúvida ou tem alguma dica para quem está pretendendo entrar no ramo? Compartilhe sua mensagem nos comentários e até a próxima!